Os trabalhos a seguir resultam das atividades da disciplina de pós-graduação EAD 5978/2026 — Governança Ambiental: Bioeconomia na Amazônia, ministrada na Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da USP (FEA-USP). Sob a coordenação dos docentes Jacques Marcovitch e Maria Sylvia Saes, a disciplina busca induzir uma análise crítica sobre a gestão dos recursos naturais e construir conhecimentos práticos para aprimorar políticas públicas voltadas à região.
Os policy briefs elaborados pelos participantes enfrentam gargalos críticos em cadeias da sociobiodiversidade e propõem soluções estruturantes para conciliar conservação florestal com geração de renda e bem-estar social.
Cacau Silvestre do Vale do Juruá: Fortalecendo a Capilaridade da Bioeconomia
Autores: Estevão Seccatto Rocha e André Bracciali
Este estudo analisa a cadeia do cacau nativo nas Reservas Extrativistas (RESEX) do Alto e Médio Juruá, um produto de alta raridade que, apesar de sua viabilidade comercial comprovada, ainda enfrenta fragilidades extremas.
Os autores identificam uma “ruptura de capilaridade” entre as políticas públicas e as comunidades isoladas, além de uma assimetria onde o extrativista retém menos de 10% do valor final do chocolate. A proposta sugere a criação da figura do Agente Extrativista de Bioeconomia (AEB) — inspirado no modelo dos agentes comunitários de saúde — e a instalação de Centros Comunitários de Beneficiamento (CCBs) com gestão feminina. O objetivo é transformar o apoio governamental de projetos pontuais em uma política de Estado, garantindo renda previsível e segurança alimentar para cerca de 300 famílias.
Formalização da Meliponicultura: Integrando Regulação Ambiental e Sanitária
Autoras: Beatriz Alves Leandro e Janaína Alves De Lima
A meliponicultura (criação de abelhas sem ferrão) é apontada como estratégica para a conservação ambiental e segurança alimentar, mas esbarra em um “vazio regulatório” que impede sua expansão comercial.
O trabalho destaca o descompasso institucional entre a autorização ambiental (SISFAUNA/IBAMA) e a legalização sanitária (MAPA/SIM), que mantém a maioria dos produtores na informalidade e fora dos mercados formais. Para superar esse entrave, as autoras propõem uma estratégia de formalização escalonada, que inicia na regularização ambiental e avança progressivamente até a obtenção do Selo ARTE, permitindo a comercialização nacional. A política foca na atuação de secretarias municipais e forças-tarefa técnicas para reduzir os custos de transação e incluir jovens e mulheres na cadeia produtiva.
O Agente Curador: Estratégias para Desbloquear o Financiamento na Amazônia
Autoras: Naiara Bertão e Beatrice Duran
Embora existam recursos disponíveis para a sociobioeconomia, como no Fundo Amazônia, o acesso das comunidades locais ao crédito permanece limitado por excesso de burocracia e exigências documentais incompatíveis com a realidade territorial.
Este policy brief propõe a criação do Agente Curador dentro de instituições financeiras como o BNDES. Diferente dos agentes aglutinadores que atuam na ponta, o curador teria a função proativa de mapear e fortalecer intermediários, traduzir demandas locais para o banco e apoiar a estruturação de dados de impacto. A iniciativa visa reduzir a assimetria de informação, permitindo que os instrumentos financeiros sejam redesenhados para alcançar de forma efetiva os pequenos e nanoprodutores da floresta